Jovens Igreja do Deus Forte

Filhos de Gepetto

A Bíblia retrata aqueles que andam com o Senhor de várias formas: justos, justificados, filhos do Altíssimo, nação santa, filhos de Deus, etc. A Palavra também retrata aqueles que andam longe de Deus de várias maneiras: filhos de Belial, filhos do diabo, joio, obreiros fraudulentos, etc.
Pelo fato de a Bíblia ter sido escrita há cerca de dois mil anos atrás, muitas figuras ilustrativas, que poderiam calhar bem, ficaram de fora. As histórias de contos de fada e as alegorias modernas, como as Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, ou obras de cinema e TV, como Superman returns ou Doctor Who, trazem, de modo consciente ou inconsciente, novas figuras de linguagem para ilustrar a realidade daqueles que andam combatendo a obra de Deus. 
Carlo Collodi bolou uma historinha, uma fábula, no século XVIII, e gostaria de me apropriar de um de seus personagens, o Gepetto, para mostrar quem são seus filhos hoje.
Os filhos de Gepetto possuem todas as matizes teológicas possíveis e imagináveis. Você pode encontrá-los em um púlpito, na televisão ou na internet. Pode ler seus livros cheios de lorotas. Pode ofertar para seus empreendimentos religiosos, buscando lucrar também. Com isso, você se torna um pouco filho de Gepetto também.
Os filhos de Gepetto podem ser localizados em Curitiba, Manaus, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo. No litoral e no interior. Em todo o nosso país pode-se encontrar filhos de Gepetto.
Os filhos de Gepetto se apresentam de várias maneiras. Há aqueles com aparência bovina, de seletiva ira. Há aqueles que, por um punhado de tostões, difamam hoje aqueles a quem abraçavam ontem. Há aqueles que falam os maiores impropérios com os olhos esbugalhados, apresentando claros sinais de desvio psiquiátrico e psicológico, mas que se revestem de um messianismo incontestável.
Há filhos de Gepetto batistas, ex-batistas que viram a oportunidade de se tornarem “sócios de Deus”, assembleianos, presbiterianos, ex-presbiterianos iconoclastas, pentecostais, tradicionais, liberais. 
Os filhos de Gepetto querem que você creia neles, desviando o foco de Jesus. Eles desejam ser ouvidos. Aliás, ouvidos, não. Eles anseiam ser incontestavelmente reverenciados, assumindo um posto de ídolos de uma geração carente de referenciais.
Na história contada pelo desenho da Disney, o filho de Gepetto tinha o Grilo Falante como sua voz de consciência. Os atuais filhos de Gepetto há muito detetizaram essa voz chata e maçante.
Na versão de Disney, o filho de Gepetto persegue seu sonho de se tornar um menino de verdade. Em nossa realidade, os filhos de Gepetto querem mesmo é que todos os que os seguem se tornem como eles, num delírio narcisista.
Pinóquio, o filho de Gepetto, era um bonequinho de madeira, engraçadinho, fofinho, mas mentiroso contumaz. Os filhos de Gepetto de nossa realidade compartilham com Pinóquio a cara-de-pau e o nariz que cresce, denunciando-lhes a mentira. Mas não pense você que, ao verem o nariz crescer, eles se dão por vencidos. Numa aplicação torta de Sartre, o nariz crescido são os outros. Pode ser explicado como uma saída pela tangente por causa da iniqüidade institucionalizada, exorcizado aos gritos de “safaaaaado!” ou mascarado como resultado da campanha pelas sementes de unção de prosperidade nasal. Os nossos Pinóquios também atraem a atenção, mas não pela fofura, e sim pela desfaçatez. Pinóquio conseguiu se tornar um menino. Nossos Pinóquios estão cada vez mais se tornando marionetes do mal.
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